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Política

07/03/2018 ás 09h11

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Garanhuns MINHA Cidade / Jhonathas William J.W

Garanhuns / PE

‘Lula virou caixeiro viajante da Odebrecht’, avalia fundador do PT no Amazonas
‘Lula virou caixeiro viajante da Odebrecht’, avalia fundador do PT no Amazonas
‘Lula virou caixeiro viajante da Odebrecht’, avalia fundador do PT no Amazonas

Um dos fundadores do PT, o professor da Universidade Federal do Amazonas aposentado Aloysio Nogueira, analisa, em entrevista para A CRÍTICA, a trajetória histórica do partido nascido dos movimentos sociais no final dos anos de 1970, empunhando a bandeira da ética na política e de combate à pobreza e à concentração de riqueza. E que, na semana passada, teve sua principal figura, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquadrado na Lei da Ficha Limpa, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “O PT permitiu que seu principal dirigente se tornasse um verdadeiro caixeiro-viajante da Odebrecht, processada por corrupção”, disse o historiador na entrevista a seguir.


O senhor participou da fundação do PT Amazonas. O que motivou esse movimento?


Fui apenas um dos fundadores do PT Amazonas e do PT Nacional, visto que fiz parte do Diretório Nacional e Presidente do PT Amazonas de 1980 a 1985. As discussões sobre a criação do PT começaram no bojo dos movimentos sociais, particularmente do movimento sindical em São Paulo nos finais dos anos 70. As discussões sobre o PT Amazonas surgiram também no processo de construção de vários movimentos sociais em 1979. Ressaltem-se os movimentos dos professores da Universidade do Amazonas e das redes Estadual e Municipais de Ensino; dos trabalhadores do distrito industrial e dos trabalhadores rurais.


Fundado em 10 de fevereiro de 1980, o PT nasceu das lutas sociais. Tanto é que o seu Manifesto demonstra as razões dessa iniciativa quando, dentre outras, afirma: que “O PT nasce da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados”. E mais: “O PT lutará por todas as liberdades civis, pelas franquias que garantem, efetivamente, os direitos dos cidadãos e pela democratização da sociedade em todos os níveis. Enfim, “O PT afirma seu compromisso com a democracia plena e exercida diretamente pelas massas”. “Neste sentido proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”.


Quais mudanças o senhor esperava com a criação e a atuação do partido?


Intelectuais, trabalhadores, militantes de esquerda, integrantes de movimentos de base da Igreja Católica, ao fundarem o PT, esperavam construir um partido de massa, contrário a ditadura, ao populismo, ao personalismo, aos conchavos da antiga política e comprometido de forma absoluta com a causa dos desassistidos na busca de um novo futuro. Uma nova sociedade, construída de baixo para cima. O PT ao produzir em 1980 seus princípios contidos nos seu Manifesto, Programa e Estatuto Partidário, objetivava construir um Brasil solidário.


Por que o senhor decidiu sair do partido?


Permaneci no PT até a publicação da chamada Carta aos Brasileiros de 2002. Embora, muito antes, o PT já não priorizasse a política histórica de defesa dos interesses dos trabalhadores e de seus mais diversos movimentos sociais. Por isso, agigantou-se no PT uma forma de fazer política que mais adiante se tornou conhecida como Lulismo, desprovido dos propósitos essências das origens do próprio PT.


O que mudou na política ao longo desses anos?


O PT foi fundado com o objetivo precípuo de combater a política conservadora em todos os seus níveis: teórico e prático. Daí a necessidade de o PT lutar contra a predominância da conciliação de classe na política. Posição conciliatória defendida não somente exercida pelos partidos das classes dominantes, mas por setores da esquerda em nível nacional e local, que se aliavam com partidos e setores conservadores buscando o poder. Com o advento da postura política do PT contida na Carta aos Brasileiros em 2002, o PT aprofundou a conciliação de classe que resultou, inclusive, na presença de Michel Temer nos governos Lula e Dilma. Os chamados golpistas que conduziram o impeachment de Dilma, ao meu ver, há muito se encontravam encrustados nos governos petistas. A velha política conservadora não desapareceu e agigantou-se, a partir, sobretudo, da crise capitalista de 2008 e do aprofundamento da crise do governo de Dilma.


Quais eram os sonhos da esquerda naquela época e quais são os de agora?


A principal razão da existência de uma organização de esquerda é de superar o modo capitalista de produção em todos os seus níveis. A maneira de realizar esse empreendimento tem provocado discussões e ações as mais variadas ao longo da história geral e nacional. Daí a existência de partidos e tendências de esquerda ao longo do tempo. As organizações de esquerda que melhor realizam interpretações e realizações na história real da sociedade, têm conseguido certa hegemonia no processo da luta pela mudança social. Uma questão de outrora e que agora sobressai com mais vigor diante da crise do PT, é a busca de uma certa unidade do conjunto dos partidos e tendências de esquerda. A discussão sobre isso deve ser pública e democrática, para evitar que as organizações de direita se tornem hegemônicas, podendo com isso levar a sociedade brasileira à barbárie.


Como o senhor avalia a trajetória do partido que nasceu do movimento operário, governou o País por 13 anos e agora tem a sua principal figura (Lula) condenado por corrupção?


O PT não surgiu apenas do movimento operário do ABC paulista. No final da década de 70 organizaram-se os mais diversos movimentos sociais por todo o Brasil. Vários equívocos de interpretação e prática política levaram o PT a situação atual e, sobretudo, sobre o papel do Lula nesse processo histórico ao longo do tempo. Existe uma interpretação que considero indicada para explicar esse processo histórico. Trata-se da lavra do professor Chico de Oliveira quando ele diz: “Como Marx disse há 150 anos que a libertação da classe operária só será obra da própria classe”, “confundimos as duas coisas ao achar que o operário é igual a classe e que havíamos chegado ao paraíso”.


Nas pesquisas de intenções de votos das eleições presidenciais, Lula aparece em primeiro lugar. Como o senhor analisa isso?


Não há dúvidas quanto as intenções de votos ao pré-candidato Lula. Claro que por traz desse processo a existência do bolsa família tem o seu papel. Há críticas positivas e negativas quanto ao programa. Mas ao verificarmos a grave situação porque passa os brasileiros de baixa ou sem nenhuma renda é gravíssimo. Daí que o programa ao atender parcialmente esse eleitorado, o retorno em voto é compreendido, embora nenhuma ação estrutural tenha sido tomada para resolver definitivamente o problema da fome no País. Tudo indica que o Programa Fome Zero do PT morreu.


O que ocorrerá com o PT daqui para frente, na sua avaliação?


Diante dos graves problemas enfrentados pelo PT, sobretudo o de falta de ética na política, postura que o PT defendia e praticava em sua origem, há muito está sendo deixada de lado. Pelo fato de o PT não haver realizado nenhuma autocrítica ao longo desse processo, não haverá nenhuma possibilidade de ele se tornar referência nacional e internacional de um partido de esquerda que possa ajudar o Brasil a se tornar um país socialista.


Com a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula, como fica a disputa eleitoral?


Diante do fato de o PT se recusar a reconhecer seus erros, sobretudo por haver negligenciado o seu processo de formação de lideranças e reconhecê-las como tal, continuando a dizer que o operário é igual a classe, negando a possibilidade de um outro candidato para representar o PT nas próximas eleições, os conservadores ficarão fortalecidos eleitoralmente.


Qual a sua avaliação sobre a volta de uma agenda política conservadora?


A agenda conservadora não desapareceu com a ascensão do PT aos aparelhos de Estado. Tanto é que os caciques do velho PMDB além de haverem participado efetivamente dos governos petistas, continuam incólumes diante da justiça brasileira. Neste sentido, caso os partidos e as tendências de esquerda não conseguirem a unidade política acima referida, a agenda política conservadora continuará hegemônica.


Como se justifica a ascensão de Jair Bolsonaro?


A direita brasileira apenas recuou politicamente no processo de transição democrática com a eleição de Tancredo Neves. Haja vista que enquanto em outros países da América Latina os torturadores foram severamente punidos, no Brasil assistimos ao deputado Bolsonaro homenagear de viva voz uma das principais lideranças responsáveis da tortura no País. Desse modo, entende-se que a direita por não haver recebido nenhuma punição exemplar, está de volta na voz e nas ações desse senhor pré-candidato à Presidência.


Quais os avanços e retrocessos que o Brasil teve durante a administração do PT?


Vários avanços ocorreram. Dentre eles pode-se ressaltar a aprovação da Lei da Ficha Limpa, proposta oriunda da sociedade com participação efetiva da militância petista. O retrocesso principal é que o PT permitiu que seu principal dirigente se tornasse um verdadeiro caixeiro-viajante da Odebrecht, processada por corrupção.


Existem erros que poderiam ser evitados?


Ao iniciar a sua construção partidária, o PT optou por um trabalho efetivo de sua democracia interna em todo o território nacional. Esse processo permitiu que se evitasse o personalismo político ao longo do tempo. Noutras palavras, evitou-se o caciquismo político tão a gosto dos partidos tradicionais até então existentes. No entanto, esse processo foi desaparecendo e possibilitou que a democracia interna se enfraquecesse. Este foi um erro que poderia ter sido evitado.

FONTE: PORTAL A CRITICA

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