Abertura de lojas e participações em feiras e eventos elevaram resultado em 66,5% acima de 2021
Na comunidade do Cabreiro, em Aracati, a 150 quilômetros da Capital, a maior parte das mulheres começou a trançar a palha com suas mães e avós. É lá que há quase dez anos funciona a Associação dos Moradores do Serrote e Adjacências com 85 artesãos que produzem bolsas, sousplats, boleiras, cestos e diversos objetos do trançado da palha de carnaúba. “Sempre que vamos expor em alguma feira ou evento saímos com mais contatos para encomendas e parcerias e isso já nos levou muito longe, mais do que imaginávamos”, conta a presidente da associação, Maria Helena Angelino, também conhecida como Boba. A criatividade, o colorido e a inovação dos artesãos do grupo é reconhecida no Estado e em outros lugares do Brasil, como Brasília, São Paulo e Minas Gerais, e até na Europa.
A trança da palha é atividade cultural e afetiva para mulheres do litoral leste
As artesãs da Associação estão entre as mais de 12,7 mil pessoas beneficiadas, em 2022, com a venda de artesanato cearense em feiras e eventos e nas lojas da Central de Artesanato do Ceará (CeArt). As vendas totalizaram R$ 3.825.757,97, um aumento de 66% com relação a 2021, quando somou R$ 2.298.081,12. No ano passado, foram 108 eventos promovidos ou que contaram com o apoio da Central, no Estado e no País, além da abertura de três lojas, uma no Shopping Rio Mar Fortaleza e duas em Juazeiro do Norte. A CeArt é uma ferramenta da Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS) que trabalha o artesanato cearense como uma política de geração de emprego e renda a partir de saberes tradicionais.
“Avalio 2022 como um ano bastante positivo para artesanato cearense. Retomamos um crescimento, após um período bem difícil para o setor, que foi a pandemia do coronavírus e realizamos abertura de novos pontos comerciais e atualização do layout das lojas, assim como garantimos a participação do Ceará em feiras estaduais e nacionais”, ressalta a titular da SPS, Onélia Santana.
Secretária Onélia Santana na loja da CeArt – Oficina de Artesãos no Complexo da Arena Romeirão, em Juazeiro do Norte; equipamento foi inaugurado em dezembro do ano passado
Em 2022, com apoio da CeArt, o grupo de Aracati esteve em feiras de Belo Horizonte, Recife, na 4ª Feira Nacional de Arte e Cultura do Ceará (Fenacce) e 62ª FeirArt, ambas em Fortaleza. “Além das feiras, participamos de rodada de negócios, com apoio da Central, e isso nos ajudou bastante. Temos muito orgulho de estarmos em lojas no aeroporto de Fortaleza e em shoppings, porque os visitantes veem nossos produtos bem expostos, em um espaço bonito, e entram em contato, fazem encomendas. Para nossa comunidade é um apoio fundamental para nos mantermos trabalhando e gerando renda”, destaca Maria Helena.
Artesão da comunidade do Carqueijo, em Mucambo (CE), a 260 quilômetros da capital, Gilmar Martins, 40, trabalha desde os 20 anos com tecelagem. Hoje, ele preside a Associação de Artesãos do Carqueijo, criada em 1997, e que conta com 35 artesãos da localidade. “Nosso grupo alavancou em 2020 quando assumiu a responsabilidade de desenvolver novas peças com a CeArt. A partir de então, participamos de grandes feiras e atendemos lojas de rede de atacado”, conta.
“Essas capacitações e assessoramentos melhoram a qualidade, inovação e consequentemente a competitividade dos grupos artesanais do Estado nos mercados nacional e internacional”, explica a coordenadora de Desenvolvimento do Artesanato, Patrícia Liebmann.
Por meio da CeArt, o artesão tem acesso a serviços como cadastro para emissão de identidade artesanal, que garante isenção no Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS); cursos e oficinas de qualificação, inovação e gestão, além de participação em feiras e eventos. A CeArt promove a compra direta dos artesãos e a comercialização dos produtos certificados com o Selo CeArt. Tudo isso contribui para a sustentabilidade, competitividade e melhoria de renda e qualidade de vida do artesão, principalmente de mulheres.
No total, são 37,4 mil artesãos e 86 entidades artesanais cadastrados na Central de Artesanato do Ceará. Para comercializar esses itens, a CeArt conta, atualmente, com seis espaços físicos e umaplataforma de vendas online.