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Morre Eurico Miranda, o destemido presidente do Vasco a Gama, aos 74 anos
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13/03/2019 02h55Atualizado há 2 meses
Por: Jonathas William J.W (Garanhuns MINHA Cidade)

Morreu nesta terça-feira, por volta das 11h, no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, um dos mais importantes e controversos dirigentes do futebol brasileiro. Eurico Miranda, ex-presidente do Vasco da Gama, faleceu vítima de complicações devido a um câncer no cérebro, aos 74 anos. Polêmico, provocador e colecionador de frases de efeito, desafetos e admiradores, deixa a esposa Sylvia, os filhos Eurico Brandão, Álvaro Miranda, Mário Ângelo Miranda e Sylvia Miranda, e oito netos.

Há dez anos, ele lutava contra tumores em outras partes do corpo, o que ocasionou alguns períodos de afastamento dele durante seu último mandato como presidente do Cruz-Maltino, entre 2015 e 2017. Por ocasião de uma homenagem aos 120 anos do clube, esteve na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, numa aparição pública que revelou a saúde debilitada. Mesmo com dificuldades de locomoção, seguiu frequentando São Januário e participando ativamente da vida política do clube até novembro.

Eurico Miranda foi tão poderoso no xadrez do Vasco que na única vez que ficou perto de levar o xeque-mate, articulou com Alexandre Campello, (atual presidente do Vasco da Gama) a manobra política que impediu Julio Brant de ser eleito presidente do clube. Rei no tabuleiro vascaíno por 30 anos, foi peça derrubada somente pelo único adversário invencível que enfrentou.

Eurico Miranda foi presidente do Vasco em dois períodos, de 2001 a 2008 e de 2014 a 2017. Na posição mais importante do clube, foi tricampeão carioca, em 2003, 2015 e 2016. Seu auge como dirigente foi na vice-presidência de futebol da gestão Antônio Soares Calçada, entre 1986 e 2000. No período, o Vasco conquistou seis campeonatos estaduais, um Torneio Rio-São Paulo, três Brasileiros, uma Copa Mercosul e o título mais importante da história do clube – a Libertadores de 1998, ano do centenário vascaíno.

Eurico se elegeu deputado federal pelo Rio nas eleições de 1994 e 1998. Por sua atuação como vice-presidente e presidente do Vasco, foi um dos alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em Brasília para apurar irregularidades no futebol brasileiro, em 2001. Ao final do processo, a cassação de seu mandato como deputado federal não foi aprovada, não sendo encontradas contra ele provas que pudessem incriminá-lo, e ele pôde cumprir o seu mandado até o fim, em 2006 disputou a sua última eleição para Câmara Federal, mas não conseguiu se reeleger, ficando na suplência do seu partido.

Eurico Miranda teve participação importante em alguns dos principais episódios do futebol brasileiro nas últimas três décadas, como a criação do Clube dos 13, a criação da Copa do Brasil em 1989 – competição mais democrática e inclusive do futebol brasileiro -, hoje é a competição com maior premiação para os clubes e futebol do Brasil.

No Vasco da Gama, deixou como legado algumas das contratações mais emblemáticas do clube, como o retorno de Roberto Dinamite em 1980, quando o atacante ameaçava se transferir para o Flamengo depois de uma temporada na Europa jogando no Barcelona da Espanha, e a compra de Bebeto, atacante que defendia o arquirrival rubro-negro e foi um dos responsáveis pela brilhante conquista do título brasileiro de 1989 pelo Vasco da Gama.

Outras duas contratações que repercutiram no mundo futebolístico feitas por Eurico, foi volta de Edmundo e Romário ao Vasco da Gama, depois de passagens por Palmeiras e Flamengo. Romário e Edmundo estão na galeria dos maiores ídolos da história do Clube de Regatas Vasco da Gama, e estão entres os maiores artilheiros do futebol mundial, os dois foram criados na base do Vasco da Gama e também fizeram sucessos em outros clubes e na seleção brasileira. 

Por outro lado, seus opositores em São Januário sempre acusaram Eurico de ser o principal responsável pelo acelerado endividamento do clube a partir do fim dos anos 1990. As dificuldades financeiras que o Vasco atravessa desde então tiveram como consequências a escassez de conquistas de expressão e três rebaixamentos para a Série B. Além disso, os processos eleitorais dentro do clube foram marcados por intensa hostilidade contra seus opositores e acusações de fraude envolvendo sócios fantasmas.

Durante suas gestões, a relação com a imprensa, principalmente com a Rede Globo sempre foi tensa e beligerante, o que culminou em diversos momentos na proibição de determinados veículos e jornalistas de participarem da cobertura diária. Esses problemas ajudaram a minar sua popularidade e a desgastar a imagem do Clube Cruz-Maltino.

Na eleição do Vasco de 2017, ele tentou a reeleição para presidente, mas sua chapa foi derrotada pela união da oposição. Ainda assim, depois que a Justiça apurou que houve irregularidades na entrada de sócios durante sua gestão. Eurico Miranda ainda participou da articulação que culminou com a eleição de Alexandre Campello e a derrota de Julio Brant, até então considerado o favorito para assumir o clube. Eleito presidente do Conselho de Beneméritos, concentrou seus esforços em 2018 na aprovação das contas de seu último ano de gestão como presidente administrativo.

(Com informações Jornal Extra)

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