
“Ciência não é uma escolha, é uma necessidade. Quem não enxerga isso está fadado a um obscurantismo que condena o futuro do país. ” Essa frase do Físico e Astrônomo brasileiro, Marcelo Gleise, vencedor do Prêmio Templeton em 2019, em entrevista concedida à Agência Einstein, em 2020, demonstra a importância da Ciência nos avanços da sociedade.
Foi pensando no papel da Ciência nas nossas vidas; na importância de estimular a comunidade escolar a buscar soluções criativas; na necessidade de reconhecer experiências exitosas e atividades inovadoras, com impacto social e ambiental, e ao mesmo tempo e incentivar o protagonismo estudantil, por meio de processos e práticas voltadas à ciência e à tecnologia, que o Governo Carlos Brandão idealizou a Feira de Ciência, Sustentabilidade e Inovação, que será organizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), em parceria com as Secretarias de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Juventude (Seejuv), Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fapema), Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA).
A comunidade escolar entendeu a proposta e aceitou o desafio de produzir ciência e de divulgar o que produz no ambiente escolar. E a Feira de Ciências, Sustentabilidade e Inovação já é o maior evento de fomento à pesquisa no ambiente educacional do Maranhão, a partir do desenvolvimento de experiências pautadas na ciência, no protagonismo juvenil, na criatividade e na corresponsabilidade social, voltado para estudantes das redes públicas estadual e federal.
Cerca de 400 trabalhos desenvolvidos pelas comunidades escolares nas categorias de Experimentação Científica e Sustentabilidade e Inovação, tecnologia e robótica foram selecionados para participar da feira. O evento vai envolver quase 4 mil estudantes, professores e gestores escolares, focados em fazer ciências. Cerca de 150 profissionais da Seduc e das demais instituições parceiras darão suporte para que a feira aconteça dentro do planejado e seja vitrine para a produção científica desenvolvida no ambiente educacional de rede pública de ensino.
“A Ciência, a Tecnologia e a Inovação são molas propulsoras para o desenvolvimento, para o avanço da sociedade, mas não podem ser pensadas fora do contexto da sustentabilidade. Avançar sem destruir. Lançamos essa ideia à nossa comunidade escolar. E o resultado foi surpreendente pela grande quantidade e pela qualidade dos trabalhos inscritos. Nós, que fazemos o governo Carlos Brandão, estamos muito felizes e gratos pelo desempenho dos nossos professores e estudantes. Temos certeza de que faremos uma feira histórica. Estamos felizes com o número de equipes inscritas e a qualidade dos projetos selecionados ”, ressaltou a Secretária de Educação Leuzinete Pereira da Silva.
A secretária de Estado da Juventude, Tatiana Pereira, ressaltou a feira como um momento estratégico para a juventude maranhense que tem buscado o protagonismo também nas tecnologias e inovações.
‘’A feira de ciências é um momento estratégico para juventude, por que de fato consolida o quanto a juventude tem atuado nesse sentido de novas experiências, de trazer seu olhar para espaços sociais e, principalmente, debater sustentabilidade. Inclusive, é um momento de protagonizar esse olhar social da juventude, sendo a primeira agenda do Governo do Estado nesse sentido, assim criando essa parceria importante com a Seduc e outras secretarias do Governo, de criar esse espaço de convivência da juventude com a sociedade, para de fato mostrar o quanto tem sido fundamental, a sociedade e a juventude atuar em espaços importantes de questões ambientais’’ afirma Tatiana Pereira, secretária do Estado da Juventude do Maranhão.
O presidente da Fapema, André Santos, pontuou a importância de estimular o protagonismo juvenil, também na ciência, e o papel da Feira de Ciências, Sustentabilidade e Inovação na popularização da ciência. “Seguindo orientação do governador Carlos Brandão, a Fapema tem estimulado a participação de jovens em projetos de pesquisa e neste sentido temos lançado editais como o Geração Ciência, o Juventude Com Ciência e ampliando o número de bolsas de Iniciação Científica. A Feira de Ciências, Sustentabilidade e Inovação vem reforçar essas ações e é também um importante espaço de popularização da ciência, uma vez que representa uma excelente oportunidade para professores e estudantes mostrarem seus trabalhos para a sociedade”, pontuou André Santos.
Projetos aprovados
As equipes inscritas são dos mais diversos recantos do Maranhão. Lá de Presidente Dutra, estudantes do Centro Educa Mais Deputado Remy Soares, focaram na sustentabilidade e conquistaram três vagas na feira. Um deles foi o “Aquaponia e Robótica: Tecnologia e Sustentabilidade a favor do Ensino Interdisciplinar”, que busca a criação de um sistema automatizado e conjugado capaz de unir a Piscicultura (cultivo de peixes) e a Hidroponia (cultivos de plantas sem o uso de solo, com as raízes submersas na água), utilizando-se da sustentabilidade e robótica como ferramentas no processo teórico e prático de ensino e aprendizagem interdisciplinar.
“Estou ansiosa em participar de um evento como esse. Participar da Feira de Ciência, Sustentabilidade e Inovação é algo que está gerando muito entusiasmo entre nós alunos e a gente está bem feliz, confiante no nosso projeto”, disse, cheia de entusiasmo, a estudante Letícia Sobrinho Lima, que faz parte da equipe.
“Nós conseguimos fazer a inscrição de 06 projetos, dos quais 03 foram aprovados nas duas categorias. Estamos em duas frentes tentando trazer essa premiação para a nossa escola. A escola está muito mobilizada, os estudantes estão muito estimulados a participar. E aí a gente sente assim o movimento que essa feira traz para a escola, como ela movimenta a escola, como ela estimula os estudantes a participar cada vez mais da produção de ciência, de atividades práticas que a gente já faz muito em nossa escola, e agora teremos a oportunidade de mostrar”, ressaltou Rafael Gonçalves, Gestor Geral do Centro Educa Mais Deputado Remy Soares, da cidade de Presidente Dutra.
Estudantes e professores do Centro de Ensino Sotero dos Reis, em Cachoeira Grande, olharam para dentro da escola, pensaram e criaram o projeto “Sustentabilidade: Geração de Eletricidade através da Produção de Biogás em Biodigestores”. A ideia surgiu da percepção dos estudantes de que os resíduos orgânicos, produzidos a partir da merenda escolar, eram descartados de maneira irregular no lixão da cidade. O que ajudava a aumentar os riscos à saúde pública local. Então, eles decidiram mudar essa história de desperdício e população, usando a tecnologia do Biodigestor.
“Biodigestor é um produto que cria um ambiente com ausência de oxigênio, permitindo que as bactérias anaeróbicas realizem a digestão de matérias orgânicas, produzindo o biogás. Esse biogás pode ser usado para a produção de eletricidade, através de um módulo confeccionado com uma fornalha, uma caldeira e um motor de energia cinética que irá converter essa energia cinética em energia em energia elétrica. A nossa expectativa é participar, angariarmos cada vez mais conhecimento científico, novas experiências e também queremos sim, porque sabemos da força do nosso projeto, conquistar uma premiação”, explicou o Raul Muniz, professor Química da escola e orientador dos alunos no projeto.
O Centro Educa Mais Barjonas Lobão, em São Luís, que tem 03 projetos inscritos na feira, um deles é o Robótica Educacional. Robótica Educacional: "Do Lixo à Educação Tecnológica”, é um projeto que busca a criação de modelos robóticos, utilizando de materiais de baixo custo, e facilidade de reposição, com uso de resíduos eletrônicos reutilizáveis.
Outro projeto do Barjonas é o projeto "Cores do Maranhão: Tintas Ecológicas", onde a equipe orientada pela professora de Biologia e Orientadora, Etiene Pereira Santos Ferreira, foi buscar na natureza plantas como a vinagreira para produção de "Tintas Ecológicas à Base de Extrato de Plantas Maranhenses”, e assim, auxiliar no desenvolvimento sustentável do estado.
"A Ciência é um conjunto de teorias e práticas que dentro da escola estimulam a curiosidade e o interesse de estudantes, permitindo que se envolvam em investigações, planejamentos e ações relevantes para sociedade acadêmica e também para a comunidade como um todo. Desta forma, os alunos ampliam a capacidade de resolver problemas, compreender conceitos e desenvolver habilidades. A Feira de Ciências promovida pelo Governo do Estado vem agilizar esse processo de engajamento dos estudantes de diversas escolas e isso facilita a divulgação da ciência no nosso estado", enfatizou Etiene.
"A expectativa é conseguir bater as metas e incentivar os outros alunos a participar da feira de ciências e também estimular a criatividade dos nossos colegas", disse o estudante Davi Aranha Palhano, do projeto Tintas Ecológicas.