
Sueli Lima de Souza, de 64 anos, comemora a alta da Santa Casa, após 14 dias de internação em função de um transplante de fígado. A dona de casa, que é de Castanhal, é a segunda paciente a passar pelo procedimento no hospital desde que os transplantes hepáticos começaram a ser realizados na unidade, no final de fevereiro deste ano.
Emocionada, ela conta como tudo começou, já com a descoberta de uma cirrose hepática. "Eu nunca tinha tido nenhum problema de saúde que me levasse a um hospital, até que comecei a ficar com a barriga muito grande e a sentir dores a ponto de nem conseguir tocar. Foi então que comecei a procurar médicos até chegar ao diagnóstico de cirrose. A notícia de que eu precisava ser submetida a um transplante de fígado foi assustadora", relembra.

Mas a gratidão de Sueli também se volta às pessoas que tomaram a decisão que salvou sua vida. "Eu não tenho palavras para agradecer à família desse doador, que, em um momento tão triste, conseguiu ter sabedoria e amor ao próximo e tomou a decisão de doar os órgãos dele. Foi essa decisão que salvou a minha vida e que pode salvar muitas vidas, se outras famílias seguirem o exemplo", conclui.
Balanço- O cirurgião Rafael Garcia, responsável técnico da equipe de transplante de fígado da Santa Casa, relata que a realização de transplantes hepáticos no hospital superou as expectativas.

Doação de órgãos- Estima-se que quase 50 mil pessoas necessitam de um transplante de órgãos no Brasil. Mas, para que mais transplantes possam acontecer, é necessário que mais famílias autorizem as doações quando há a comprovação de morte encefálica. Um doador de órgãos pode salvar até nove vidas, com a doação dos rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino.

A Santa Casa do Pará realiza, além do transplante de fígado, o transplante renal pediátrico desde 2019. Doze crianças e adolescentes já foram transplantadas desde então. Quase 30 pacientes renais pediátricos ainda aguardam por um transplante de rim no hospital e mais de 20 pacientes hepáticos possuem indicação para transplante.
"Só há transplante com doação e doação só acontece no Brasil se a família autoriza a retirada do órgão. Mas, para isso, as pessoas precisam falar e demonstrar o interesse de ser um doador ainda em vida. Aceitar a doação é um gesto muito nobre. De certa forma, a vida continua, seja no fígado, no rim ou nas córneas de alguém", conclui Rafael Garcia.