Segunda, 11 de Maio de 2026
15°C 25°C
Garanhuns, PE
Publicidade

LUTO: Pernambuco perde um ícone da sua cultura, Gonzaga de Garanhuns, morreu nesta sexta-feira (16) aos 79 anos

Confira na matéria:

Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
Por: Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
16/06/2023 às 15h44 Atualizada em 16/06/2023 às 16h48
LUTO: Pernambuco perde um ícone da sua cultura, Gonzaga de Garanhuns, morreu nesta sexta-feira (16) aos 79 anos

Morreu no início da tarde desta sexta-feira (16) o produtor multicultural, Gonzaga de Garanhuns. O mestre Luiz Gonzaga de Lima tinha 79 anos e era intitulado Patrimônio Vivo de Pernambuco, tendo dedicado mais de 60 anos à cultura do estado.

Seu Gonzaga de Garanhuns havia sofrido um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC-h) no último de 04, e estava internado no Hospital Regional Dom Moura (HRDM), onde lutava por sua recuperação.

Natural da cidade das flores, o mestre Gonzaga de Garanhuns fundou oito grupos de Reisado, dos quais quatro permanecem ativos, Gonzaga de Garanhuns era bastante requisitado nos principais festivas e eventos culturais de Pernambuco. Na edição de 2018 do Festival de Inverno da cidade, Gonzaga de Garanhuns – se apresentou com cinco grupos de reisados, sendo dois deles de amigos. O artista exibia uma disposição invejável que lhe permitia ter a generosidade de alavancar não só as suas iniciativas, mas também as de outros grupos. Tudo para ver o reisado reinar como merece.

“O reisado para mim é tudo. É como se fosse um medicamento, porque, se não fosse isso, acho que eu já estaria morto. A gente se aposenta, fica lá no canto, cabisbaixo, sem ter um negócio pra desenvolver a mente, aí vai embora logo. Isso me dá ânimo, mas quando termino a apresentação, Deus sabe como as minhas pernas ficam”, brinca ele, em entrevista ao Portal de Cultura de Pernambuco. Seu Gonzaga trabalhou por mais de 50 anos como vendedor de tecidos no comércio de Garanhuns. 

LITERATURA DE CORDEL

A abrangência do seu trabalho vai além do reisado, o mestre Gonzaga de Garanhuns também era cordelista, e a sua obra como escrito de literatura de cordel alcançou territórios internacionais, tendo cordéis seus no museu Off Etnologic, na cidade de Osaka, no Japão, e no Museu Internacional da Santa Fé, que fica no Novo México, nos Estados Unidos. Junto ao poeta e cordelista Bispo, Gonzaga também promoveu a primeira Feira de Literatura de Cordel, em Garanhuns, no ano de 2011.

Quando criança, Gonzaga costumava ir às feiras públicas de Garanhuns, onde gostava de ler os cordéis pendurados nas barracas e acabava comprando alguns para ele. Ainda nessa época, começou a escrever suas próprias histórias seguindo as métricas do gênero, mas foi somente em 1973 que publicou seu primeiro cordel, intitulado “Lampião em Serrinha”.

O mestre Gonzaga de Garanhuns escreveu cerca de 350 títulos, sendo considerado um dos melhores cordelistas do Nordeste pelo holandês Joseph M. Luyten, que é pesquisador de literatura de cordel e um dos maiores divulgadores da cultura popular brasileira. Livros de Gonzaga, como “Garanhuns em Versos”, lançado em 2008 com incentivo do Funcultura, também apontam a importância da sua produção literária como fonte de pesquisa sobre a cidade.

“Meu nome pouco importa, o que eu quero ver em destaque é a cultura para o povo, para nossa terra. Muita gente diz que eu divulguei Garanhuns mais do que todo mundo, porque eu amo a minha cidade. Para mim, não existe outra igual”, conclui ele, um homem que encontrou nas suas paixões um jeito de acrescentar ao lugar onde vive.

Lenium - Criar site de notícias