
A promotora de Justiça Lívia Vaz comentou que o racismo institucional também está presente nas instituições privadas, citando uma pesquisa do Instituto Ethos 2016 acerca da presença de negros nas 500 maiores empresas privadas no Brasil. O estudo mostra que nos cargos mais baixos na organização, como os de trainee e aprendizes, há um total de 58,2% e 57,5% de negros, mas nos altos cargos como de gerência e conselho administrativo, a presença negra é de apenas 6,3% e 4,9%, respectivamente.
Ela falou também sobre a importância das cotas raciais para aumentar a presença negra nos espaços de poder e como garantia de reparação mínima, destacando a importância de se traçar medidas para aumentar a presença negra nas instituições, incluindo a mudança dos custos de inscrição das provas, concessão de bolsas de estudo para cotistas e diversificação dos títulos exigidos na etapa de provas de títulos. “Porque é mais importante uma pessoa que tem doutorado do que, por exemplo, experiências em voluntariado?”, questionou. Outras sugestões da promotora de Justiça para oportunizar o acesso dos negros nos concursos públicos incluem a mudança nas provas orais – para que se tornem classificatórias e não eliminatórias, e que as cotas sejam válidas para todas as fases da carreira, sobretudo para a nomeação/lotação dos servidores.

O programa visa inserir no planejamento estratégico da Instituição a defesa dos interesses dos grupos étnico-raciais historicamente discriminados; elaboração de plano de ação estratégico, inclusive com indicadores para monitoramento do plano de ação; e a criação de fluxos para adoção de medidas administrativas e disciplinares para o enfrentamento da prática de racismo, injúria racial ou intolerância religiosa, ocorrida dentro do MP, envolvendo seus membros, servidores e estagiários. O programa pretende ainda avaliar e combater eventuais obstáculos nos editais e fluxos dos concursos públicos do MP ao preenchimento de vagas reservadas a pessoas negras.

Na ocasião, houve o lançamento do documentário ‘Não menos estimado, Dr. Brasil – um promotor negro no MP da Bahia’, sobre o promotor de Justiça Theodomiro Brasil, que atuou como promotor de Justiça no MP baiano entre os anos de 1945 e 1970. O documentário foi apresentado pelos servidores do MP George Brito e Manuela Damasceno, e pela bacharel em filosofia Laila Beirão. “Só tínhamos, apenas, uma foto encontrada na internet. E daí buscamos pessoas nos municípios que ele trabalhou e viajamos para o interior buscando informações sobre Theodomiro. Chegamos à neta dele, Cláudia Brasil, e conseguimos obter informações sobre a vida dele, que foi um dos primeiros promotores de Justiça negro do MP baiano”, afirmou.
Crédito das fotos: Sérgio Figueiredo