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Globo

Ministério Público abre inquérito contra a Globo após “aula” de aborto na novela Bom Sucesso

Inquérito quer saber se a emissora “ensinou” ou incentivou o ato. O MP também investiga se emissora descumpriu classificação indicativa

01/11/2019 14h46
Por: Jonathas William J.W / Garanhuns Notícias

O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito civil para investigar a Rede Globo por promover uma “aula” pró-aborto exibido em um capítulo da novela “Bom Sucesso”, no último dia 19.  

O inquérito foi aberto após reclamações nas redes sociais, quando internautas constataram a cena de apologia ao crime de aborto na telenovela. O MPF quer saber se a emissora descumpriu a classificação indicativa da trama, e se a abordagem didática ao tema serviu como uma "aula", ensinando os telespectadores como praticar o ato.

Segundo o site Notícias da TV, o órgão decidiu investigar a emissora após reclamações nas redes sociais, quando internautas constataram a cena de apologia ao crime de aborto na telenovela.

O inquérito também investigará se a emissora “ensinou” ou incentivou o ato.

Para o Ministério Público Federal, crianças e adolescentes não conseguem diferenciar o merchandising social de um incentivo ao aborto e por isso quer saber se a cena abriu margem para dupla interpretação.

Na cena em questão, a personagem Nana (Fabíula Nascimento) diz a Paloma (Grazi Massafera): “Pensando bem, ainda não é um bebê. É só um embrião. Não tem sistema nervoso, não tem coração, não é nem um humano ainda. Eu não sou a favor do aborto, ninguém é. Mas sou a favor do direito de decidir sobre o meu corpo, sobre a minha vida”.

O debate sobre o aborto continuou em outra cena, quando Nana encontrou seu ex-marido, Jorginho (Daniel Warren), e falou sobre o fato de ser ilegal praticar o aborto no Brasil.

"Aqui é ilegal, mas todo mundo conhece alguém que já fez. Quem tem dinheiro consegue fazer um aborto seguro. Quem não tem condições, pode até morrer ou ser presa. Sou privilegiada, eu sei, mas eu não queria estar passando por isso", desabafou a irmã de Marcos (Romulo Estrela).

O responsável pela ação é o procurador da República Fernando de Almeida Martins, que já enviou um ofício para o Ministério da Justiça para saber o horário exato de exibição e a classificação indicativa recomendada à novela das sete.

“As emissoras deveriam observar na sua programação as cautelas necessárias às peculiaridades do público infanto-juvenil”, disse o procurador.

"Os direitos das crianças e adolescentes à proteção da formação psíquica e moral de nossa juventude precisam ser respeitados", explicou ele.

– O MPF solicitou para a Coordenação de Classificação Indicativa, do Departamento de Promoção de Políticas de Justiça, do Ministério da Justiça, o horário de exibição e a classificação indicativa adotada para a novela. O MPF também pediu análise específica do capítulo em que a temática sobre aborto foi discutida, sob justificativa de incompatibilidade de exibição desse tipo de conteúdo ao horário infantojuvenil – diz trecho da nota enviada pelo órgão para a imprensa.

A portaria que regulamenta a classificação indicativa da programação da TV aberta brasileira estabelece que o horário das 6h às 20h está na faixa de proteção infantojuvenil. Por essa razão, as emissoras devem apresentar somente programas de fins educativos, artísticos, culturais ou informativos.

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