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Sergio Moro, ex-juiz da Lava-Jato, pede demissão do governo Bolsonaro

Após sucessivos embates com o presidente, Moro decidiu pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
Por: Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
24/04/2020 às 11h36
Sergio Moro, ex-juiz da Lava-Jato, pede demissão do governo Bolsonaro

Após sucessivos embates com o presidente Jair Bolsonaro, o ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro decidiu pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O estopim foi a exoneração do delegado Maurício Valeixo do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF).

O ministro já entregou sua carta de demissão. Nela, o ex-juiz elencou os motivos para a sua decisão de deixar o governo Jair Bolsonaro.

Durante o discurso feito no final desta manhã, Moro afirmou que foi garantida autonomia da PF nos trabalhos de investigação e que sempre teve preocupação com interferência nos trabalhos de investigação por parte do Poder Executivo. "Me foi prometido carta branca", afirmou.

O ex-juiz da Lava-Jato também revelou que a única condição que ele pediu para entrar no governo Bolsonaro foi que sua família recebesse uma pensão, caso ele sofresse alguma violência por parte de criminosos, dado que ele teria de renunciar seus 22 anos de magistratura para entrar no executivo.

Moro também elencou seus feitos no Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde salientou que "tivemos uma redução expressiva da criminalidade" e mais de 10 mil brasileiros deixaram de ser assassinados.

Ex-juiz foi surpreendido com demissão de delegado

Moro foi surpreendido com a publicação da demissão de Valeixo no Diário Oficial da União (DOU). Interlocutores do ministro dizem que o agora ex-ministro não deu aval para essa decisão e que a exoneração não foi “a pedido”, como consta no texto.

Na quinta-feira, Bolsonaro avisou a Moro que pretendia trocar o comando da PF. O ex-ministro, então, fez um ultimato e disse que deixaria o cargo se isso acontecesse.

Durante todo o dia, ministros “bombeiros” da ala militar tentaram convencer Bolsonaro a adiar a demissão de Valeixo para encontrar um nome de consenso entre Moro e o presidente. Parlamentares bolsonaristas foram às redes dizer que era mentira que Bolsonaro trocaria o comando da PF e garantir Moro ficaria no governo.

Assessores de Moro afirmaram que ele teria ficado no cargo caso conseguisse indicar o sucessor de Valeixo. A publicação no DOU da exoneração do seu braço-direto, na madrugada, implodiu essa possibilidade.

Moro afirmou a diversos interlocutores que estava preocupado que a mudança na cúpula da PF tivesse como objetivo enfraquecer a autonomia da corporação e que isso pudesse comprometer a condução das investigações.

Valor Econômico

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