A Polícia Civil do Distrito Federal indiciou Michella Marys Santana Pereira, ex-companheira do advogado e ex-juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas, e as duas empregadas do casal, Giselle Resio Guimarães e Nalvina Pereira de Souza pelo crime de denunciação caluniosa.
Em 2018, as três mulheres acusaram Caldas de estupro, assédio sexual, tentativa de homicídio, lesões corporais e psicológicas, injúrias, perturbação da tranquilidade e assédio sexual. As denúncias afastaram o advogado da presidência da Corte internacional.
Três anos depois, o indiciamento delas veio a pedido do delegado-chefe adjunto da 1ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal, Maurício Caseiro Iacozzilli, a partir de gravações em áudio e mensagens interceptadas durante as investigações.
"As provas do inquérito mostram claramente a armação criada pelas indiciadas para destruir a reputação de Roberto Caldas. Encontram-se no processo gravações nas quais uma das indiciadas, Giselle, confessa a falsidade da acusação de assédio sexual que fez, admite saber que seu propósito era enfraquecer o Dr. Roberto em seu litígio familiar", disse o delegado no pedido.
Segundo Iacozzilli, a empregada Giselle sabia que o crime não havia ocorrido e não queria ter acusado o advogado, mas o fez após pressão de Michella. A intenção da ex-esposa de Caldas, argumenta o delegado, era enfraquecê-lo para outro processo sobre a divisão de bens do casal.
Por meio de depoimentos das testemunhas, o delegado também afirma que Michella foi à residências das empregadas para encorajá-las a acusar Roberto Caldas, oferecendo até suporte jurídico.
O R7 buscou a defesa das mulheres, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.
Já a defesa de Roberto Caldas considerou o indiciamento crucial para mostrar a inocência do ex-juiz. "Foram acusações com evidente motivação financeira. Estes elementos, combinados com os vários depoimentos prestados por testemunhas na delegacia, são novas e robustas provas da tramoia criada contra a verdadeira vítima deste caso: o Dr. Roberto", disse o advogado Eduardo Sánchez.