
O momento é mais que crítico... É ao mesmo tempo doloroso para a sociedade e um soco mortal na democracia. Quase 190.000 casos e mais de 13.000 mortes. Por trás destes números histórias, famílias... Não é apenas estatística como insiste considerar o presidente da república.
Para Bolsonaro parece até que é mais conveniente que o foco das atenções fique voltado para a crise de saúde que vive o Brasil e o mundo (que ele mesmo cuida de minimizar) como subterfúgio para desviar a atenção do abalo moral que assola o seu governo.
O presidente investe na desordem, no caos. E manifesta de forma insana suas intenções antidemocráticas, revelando a verdadeira face do seu viés ditatorial. Insiste em diminuir a gravidade do cenário da saúde no Brasil, cria conflitos internos dentro do seu próprio Governo, sugere sempre “inimigos” imaginários que tentam sabotá-lo (cada dia inventa um), joga contra os governadores e prefeitos culpando-os pelo que é de sua responsabilidade, mostrando, com isso, que não respeita e nem faz ideia do que significa “pacto federativo” e, por fim, faz graça para a sua plateia, aqueles seguidores que são a sua sustentação nas redes sociais. Isto com o único objetivo eleitoreiro. Está preocupado exclusivamente com a sua reeleição. E o que é pior: isso tudo no meio de uma pandemia sem precedentes. Uma crise de saúde humanitária que desafia mesmo aqueles mais experientes gestores e experts em saúde pública do mundo.
A partir do momento em que um presidente da república atenta contra a ordem democrática e o Estado de Direito, colocando em xeque a legitimidade de instituições como o STF e o Congresso Nacional, chegamos ao limite do pântano que tenta inundar a DEMOCRACIA.
É mais do que hora das instituições constituídas, lideranças políticas, entidades de classe e sociedade civil chamarem para si a responsabilidade de agirem para estancar a sangria de insanidades deste homem que, por ora, ocupa a presidência do Brasil. ALGUÉM PRECISA PARÁ-LO!
É surreal! E é inaceitável que continuemos inertes e assistindo de camarote essa realidade enquanto a sociedade sucumbe aos seus devaneios, perdendo vidas e o país marchando para o precipício da autocracia. Agora, fazendo uma reflexão, me vem à mente o pensamento da filósofa alemã Hannah Arendt: “A escolha do que se julga um mal menor é, ainda assim, a escolha simplesmente de um mal”.
*Carlos Batata é veterinário. Foi prefeito de Capoeiras, deputado estadual e deputado federal.