
Estava, aqui, recolhido, a pensar. De repente, Raquel de Queiroz à minha mente, com uma de suas crônicas: "Fica, pois, dito que democracia quer dizer governo do povo, por si mesmo, mediante eleições livres e honestas, e o ideal de todo povo que merece esse nome."
Vou conferir, e, lá, meu grifo: mediante eleições HONESTAS. Abro pausa. Volto a pensar, e me pergunto: honestas?
Ah! Raquel! Eu daria tudo por tua volta, e, nela, por minha cidade e pra minha cidade para podermos, juntos, com teu sorriso discreto e teu pulsar sereno, podermos analisar o perigo que querem submeter minha cidade.
Sei que sonho de teus sonhos, Raquel, ainda sonho de gerações em tua sucessão, ainda à espera de eleições livres e honestas.
Mas eu te pergunto, Raquel, da clausura de minha alcova; do exílio a que estamos submetidos, que podemos fazer para podermos (re)escrever tuas lapidares palavras que em uma das tuas "100 Crônicas Escolhidas", no final dos 10 dos anos mil e novecentos, ainda na Primeira República, longe ainda da revolucionária Segunda?

Sério, sincero, até meio depressivo, respondo aos meus botões: Sei não! Sei não! Mas como Raquel, não deixarei correr, às léguas, as ameaças que nos assacam, sob mantos, claramente, demoníacos.
Respiro fundo, e digo a mim mesmo: Ah, não! Ah, não, mesmo!
De repente, alguém... em meu ouvido: riqueza sem trabalho. política sem princípio, prazer sem compromisso...