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Crise na pandemia abre espaço ao Brasil na indústria mundial

Estudo da CNI analisa que países buscarão outras fontes de insumos e produtos por causa de escassez verificada desde 2020

Central
Por: Central Fonte: R7
06/10/2021 às 12h40

Com alguns ajustes que busquem reduzir o custo Brasil aos empresários e investidores, é possível ao país aproveitar o abalo da cadeia global da indústria, motivado pela pandemia da Covid-19, para ganhar espaço no comércio exterior. Essa é a conclusão de um estudo divulgado nesta quarta-feira (6) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e feito em parceria com a empresa de consultoria Totvs.

Segundo o documento, o país tem baixa participação na produção de itens com maior valor agregado, mas os movimentos recentes de reorganização das cadeias abrem uma rara oportunidade ao país.

Junto com a doença causada pelo novo coronavírus vieram as restrições impostas pelos protocolos sanitários e outra dificuldade não dimensionada pelo mercado mundial: a extrema dependência de insumos da China e de outros países asiáticos.

A China, que detectou os primeiros casos de Covid, em janeiro de 2020, reduziu sua produção de forma geral e com isso a exportação de peças e insumos que alimentavam a cadeia mundial de milhares de produtos. E é essa falha no modelo de negócios internacional que abre espaço para o Brasil.

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"O risco de depender de uma ou duas fontes de fornecimento de insumos e de produtos se mostrou evidente e a procura, ao menos para alguns seguimentos, passou a ser por diversificar geograficamente, permitindo a entrada de novos atores nas cadeias globais", constata o estudo elaborado pelos pesquisadores Tim Sturgeon e Mark Dallas, do Industrial Performance Center do Massachussets Technology Institute (IPC-MIT) e do Union College, respectivamente.

O Brasil pode se aproveitar desse momento tornando-se um fornecedor mais relevante deixando de ser apenas um exportador de itens básicos, as chamadas commodities, para fabricar produtos mais caros; investindo em inovações e entrando na disputa internacional de itens com alta qualidade e preço. 

Os pesquisadores concluem que as exportações do Brasil dependem cada vez mais de recursos naturais pelo fato de o país não ter entrado nas cadeias globais de valor.

Levantamento da CNI mostra que, de 2001 a 2020, a participação de soja, petróleo bruto e minérios subiu de 11% para 35% da pauta exportadora do Brasil.

De acordo com o estudo, o Brasil vai bem nas exportações primárias, mas tem aprofundado seu déficit em produtos com alta e média tecnologia.

O trabalho constatou também que o Brasil registra baixo nível de investimentos de suas empresas no exterior e apresenta atualmente a menor relação entre entrada e saída de recuros com esse fim em relação a todas as grandes economias do mundo.

O investimento no exterior do Brasil representa 11% de tudo o que foi recebido pelo país entre 1970 e 2018. Na Índia, essa proporção é de 33% na China, 61%; nos EUA, 103%; e na Alemanha 192%.

Mudanças necessárias

O superintendente de Desenvolvimento Industrial da CNI, Renato da Fonseca, vê uma chance única para o país nos próximos anos. “O Brasil perdeu o momento de entrar nas cadeias globais quando elas se formaram. Porém, com as reorganizações dessas mesmas cadeias, abre-se uma nova oportunidade."

Fonseca destaca, no entanto, que “para não perder essa oportunidade é preciso que o governo reduza o custo Brasil, em especial, os gastos provocados pelo atual sistema tributário e infraestrutura logística, e as empresas precisam investir em inovação, tanto na produção como na gestão”.

O trabalho analisa que mesmo as filiais de empresas multinacionais que estão no território brasileiro, como as indústrias de veículos automotivos e de eletrônicos, têm alta dependência de importações e produzem essencialmente para o mercado interno.

"No caso das filiais presentes no Brasil, a inovação continua enraizada nos países desenvolvidos, em suas sedes, ou migrando para a China em alguns casos. Essa dinâmica, ao lado dos altos custos no comércio de bens e serviços, da carga tributária elevada e complexa, das regras tributárias internacionais desalinhadas com o mundo, da logística ruim e do Custo Brasil como um todo, faz com que a indústria brasileira tenha poucos incentivos para investir fora."

O estudo sugere que o governo reduza as dificuldades e estimule os empresários a investirem em inovação baixando gastos obrigatórios, em especial com a aprovação da reforma tributária sobre consumo. Também defende a revisão de acordos e relações comerciais, intensificação do esforço de promoção das exportações brasileiras e construção de um sistema robusto de financiamento.

Para os autores, é importante priorizar a relação comercial e os acordos comerciais com União Europeia e com os Estados Unidos.

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