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EM PERNAMBUCO, A POLÍTICA DÁ AS COSTAS PARA A SEGURANÇA

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Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
Por: Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
12/05/2017 às 20h00 Atualizada em 12/05/2017 às 20h11
EM PERNAMBUCO, A POLÍTICA DÁ AS COSTAS PARA A SEGURANÇA

No século que vê beirar o armagedom ambiental, governar de costas para o futuro e na base da autoridade militar é um contra-senso enorme e a evidência mais contundente de que o recurso dos desesperados, em quaisquer lugar, é utilizar velhas fórmulas esperando novos resultados.

O governo instalado em Pernambuco invocou como forma de garantir sua autoridade declinante o método militar de gerir e governar. Não falo do policial militar, mas da lógica e do regime militares. Nada de novo, afinal estamos todos muito bem ambientados na cultura coronelista tão fortemente presente neste nosso nordeste. Professores, profissionais da saúde, policiais, servidores de todos os órgãos públicos, até no judiciário, aliados e rivais políticos já conhecem o 'modus operandi' adotado no Palácio do Campo das Princesas.

Espero viver até ver a constituição tornar civis todas as polícias e ver todos os policiais militares atuando como deve atuar uma força de segurança que lida a população, civis, todos os dias, tendo assim também garantidos todos os seus direitos fundamentais, inalienáveis, em plena liberdade e em todas as suas formas. Mas até lá...

Talvez durante algum tempo tenhamos nos permitido acreditar que seria de fato uma solução razoável recorrer aos técnicos em socorro da política, tão descredibilizada pelas ações dos próprios políticos. Mas não resta dúvidas de que esta fórmula não atende às necessidade da ordem social atual, afinal, uma sociedade não é um empresa nem uma repartição burocrática. A eficiência é sempre necessária em toda parte, especialmente no serviço público. Mas não ao custo do atropelo da dignidade humana e dos direitos, ou seja, pelo silenciamento dos oprimidos.

Ao articular o desmonte da Frente Parlamentar em Defesa da Segurança Pública, o Governo de Pernambuco toma a contramão do clamor das ruas. Ao votarem contra a manutenção da Frente, os parlamentares de Pernambuco mostraram estar rendidos ao poder executivo.

O que esperar de quem não quer ouvir o clamor das praças, das ruas, dos ônibus onde se multiplicam os assaltos? O que esperar de quem não aceita que o povo adentre a Assembleia Legislativa para debater os enormes e sangrentos problemas da segurança pública através das audiências públicas? A serviço de quê, afinal, está a segurança pública fabricada em gabinetes, que garante que haja policiais a cada 200m na orla de Boa Viagem e deixa a mercê da própria sorte populações inteiras de cidades do interior, onde uma viatura cobre a área de dois, três municípios, corriqueiramente? Em ano pré-eleitoral a tática do governo é estancar as críticas, evitar os questionamentos e fugir das responsabilidades. Não passa sem ser percebida nem troça de carnaval.

Não resta dúvida de que a segurança pública será o grande desafio e constrangimento para o governador que caminha para tentar a reeleição. E o que ele fará? Novas promessas ao estilo: "vamos dobrar o salário dos professores"?

Pernambuco está à procura de lideranças políticas. O Brasil está! O vácuo tem colaborado para que certos radicalismos ecoem com mais força, para um lado ou para o outro da política desvairada. Abre-se espaço para os aventureiros de poucas pautas, muitas bravatas e mergulhados num senso comum medíocre. Destes a política de civilização e de humanidade passam longe.

A complexidade do ser social e do ente Estado como abrigo das mais variadas tradições, matizes e experiências humanas não pode ser compreendida pelos que, ao invés de buscarem unir o tecido social em direção a um futuro sustentável, cindem-no e o repartem para entregas mesquinhas, no frenesi da auto-sobrevivência. É o poder por si. E em meio a maré das estridências, torna-se cada vez mais raro se encontrar pessoas capazes de ouvir críticas, enfrentar problemas, respeitar divergências, tomar decisões. Enfim, estamos à procura dos grandes estadistas.

Douglas Lemos
Escrivão de Polícia
Coord. Mov. Sociais REDE Sustentabilidade/PE

Por: Douglas Lemos

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