Com o tema "Novembro da Consciência Negra - Resistir para Existir", a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos promoveu neste sábado (20) um evento em alusão ao Dia da Consciência Negra, na Estação das Docas, em Belém. Atrações culturais, palestras, evento de moda, distribuição de cestas básicas e ação de cidadania marcaram o evento, que discutiu, entre outros pontos, temas importantes para o povo negro.
As comemorações de 20 de novembro se iniciaram na década de 70, para lembrar a morte de Zumbi, o mais importante líder do Quilombo dos Palmares. Considerado o maior quilombo organizado no País, Palmares resistiu entre o fim do século 16 até meados do século 17, quando os negros escravizados fugiam do então sistema colonial e se refugiavam no local.
O Secretário de Justiça e Direitos Humanos do Pará, José Francisco Pereira, ressaltou a importância de a Sejudh estar, por meio da Diretoria de Cidadania e Direitos Humanos, comemorando a data. “É um momento para que a gente possa demonstrar a importância do negro na sociedade. Não adianta dizer que estamos em uma democracia se não há inclusão social. A igualdade é o que dá a democracia e a irmandade de todas as pessoas”, afirmou.
INCLUSÃO
A diretora de Cidadania e Direitos Humanos da Sejudh, Janaína Renée, ressaltou que o reforço das políticas públicas para o povo negro é prioridade na atual gestão, razão pela qual o 20 de novembro continua sendo uma data emblemática para a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. “A Sejudh fundamentalizou o tripé da cidadania e projetos para a população negra. Sociedade opinando para que possamos construir as políticas públicas.
Outro ponto observado por Renée é que diversos órgãos do Executivo Estadual se juntaram para levar o serviço à população. “Trouxemos a Coordenadoria de Monitoramento dos Direitos Violados (CMDV) {órgão vinculado à Sejudh} para averiguar se há, na população negra, algum direito violado, atendimento jurídico e serviços de saúde, em parceria com a Secretaria de Saúde (Sespa)”, informou.
RESISTÊNCIA
O 20 de novembro tem o objetivo de criar mecanismo para se repensar a experiência de pessoas negras, a fim de alterar a imagem da escravidão dessa população, trazendo o protagonismo negro para o centro da história do País, em uma narrativa que possa tratar os negros sujeitos ativos na história brasileira.
“Hoje a gente buscou trazer assuntos importantes como epistemicídio, medidas afirmativas, valorização da pele preta e sobre como as redes sociais podem combater o racismo. Trouxemos justamente esse evento com palestras educativas, afirmativas e eventos culturais, em um espaço que traz uma visibilidade a um povo invisibilizado”, disse a gerente de Igualdade Racial da Sejudh, Vanessa Moura Bastos.
Vanessa também observou que o evento é uma oportunidade de dar mais visibilidade ao povo negro. “Ressaltar a importância de valorizar a data da consciência negra e debater sobre ela e entender que é preciso lutar contra os racismos institucionais e estruturais, a fim de entender a valorização do povo preto”, concluiu.
A manicure e autônoma, Rojane da Serra Santos, 35 anos, mora no bairro do Telégrafo. Ela, que se considera negra, aproveitou a oportunidade para comemorar o Dia da Consciência Negra. “Muita gente não se aceita, não aceita sua cor, algumas são preconceituosas com a cor ou com a opção sexual do outro, mas eu não. Tenho todos os tipos de amizade e procuro não ter preconceito com ninguém. Trouxe meus três filhos pra tirar identidade e vou ficar com eles para participar da programação. Trabalho de manicure e também faço quentinha. Hoje deixei o trabalho de lado para vir pra cá”, explicou.
NOVO ATIVISMO
Gabriel Conrado, dono do perfil @eguapreto nas redes sociais, foi um dos palestrantes no "Novembro da Consciência Negra - Resistir para Existir". Ele falou da importância de debater o tema e incluir as redes sociais no assunto. “Precisamos falar sobre os diversos tipos de racismo que as pessoas vivem nas redes, o racial, o de algoritmo, além da dificuldade de acesso às redes sociais e à própria internet, que causa dificuldade de acesso às informações”, ponderou Gabriel, cuja palestra tratou do tema “As Redes Sociais no Combate ao Racismo.”
CONSTRUÇÃO COLETIVA
A doutoranda da Universidade de São Carlos, em São Paulo, Ivonete Pinheiro, afirmou que o movimento negro é construído por diveros grupos. Ela ressaltou que o objetivo de ações como esta que a Sejudh promoveu hoje é alcançar pessoas de fora do círculo de militância. “ A construção do movimento negro na Amazônia, como organização, está nos povos de terreiros e grupo de pessoas que se articulam, inclusive pela internet, com os debates que têm sido travados e eu acho que o nosso principal desafio é como atingir as pessoas de periferias que estão fora do circulo de convívio com outras pessoas”, explicou.
O evento realizado na Estação das Docas contou com a parceria da Organização Pará 2000, que cedeu gratuitamente o espaço à Sejudh; da Fundação Parápaz, que ofertou 150 cestas básicas que foram distribuídas às famílias de baixa renda; e da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), que fez exames de detecção de Infecções Sexualmente Transmissíveis, além de outros serviços de saúde.
*Com a colaboração de Nathália Mota, da Fundação Parápaz.