
Gerson Lima, radialista, uma das melhores vozes e um dos melhores textos de Garanhuns, escreveu exclusivo para o blog o seguinte depoimento sobre o jornalista Fernando Rodolfo:
Fernando Rodolfo foi meu aluno há mais de 20 anos quando dava seus primeiros passos no mundo do jornalismo. E costuma ainda hoje ser desobediente ao alardear isso onde quer que vá me chamando de mestre.
Mas essa é a alma do legitimo homem de imprensa que não permite cabresto que o detenha do faro da noticia, nem tampouco qualquer mordaça que o impeça de dizer as verdades contidas ali.
Eu mesmo o ajudei a ter uma conduta profissional assim. Porque não faz imprensa boa quem tem cara ou voz bonita. Faz imprensa de excelência quem tem na sua prática um pressuposto de compromisso com a verdade, a consciência da prestação de serviço e a informação relevante ao espectador em geral.
É, na verdade, o exercício diário da inteligência e a prática quotidiana do caráter. Vi e ouvi várias vezes a postura desse garoto na tela ou no rádio, ser conduzida assim. Orgulho de vê-lo jamais cair no populismo de uma imprensa boba e inócua, ou na pratica de um jornalismo omisso, piegas, contido na exibição de narrativas recheados de galhofas e em busca do riso fácil do espectador.
Um exercício profissional produzido, justamente para a inteligência medíocre e sem nenhum senso critico. Esse, geralmente é o esforço de alguns meios de comunicação, em busca da popularidade instantânea a que chamam de audiência, onde mesmo desqualificada tem o dom de iludir em qualquer seguimento de imprensa. Geralmente torna-se um alçapão onde muitos dos comunicadores caem rindo como éguas, iludidos com a causa e efeito. Só isso.
Pessoas como Fernando Rodolfo são perseguidas como eu já fui. É o preço que se paga por não ser idiota e não aceitar os arreios da alienação barata, muitas vezes comprada com o valor irrisório de um salário injusto ou o “brilho paraguaio” da audiência. Pessoas assim não têm medo de perder emprego. Tem medo de perder o caráter. Receia distanciar-se do modelo de ser um embaixador e porta voz do povo.
A TV Jornal Caruaru, não perde apenas Fernando Rodolfo. Vitima de convenções administrativas arcaicas, ou pela submissão notória ao poder politico e financeiro de plantão. A TV Jornal Caruaru, perde a sua possibilidade de fazer uma imprensa inteligente e intricadamente capaz de ser instrumento do pensamento popular. A TV recua, mas Fernando segue em “lides” diretos com o povo, sustentado numa prática de mídia convergente e moderna onde cada cidadão é Copy-Desk e co-produtor dos fatos narrados por ele,onde puderem ser veiculados em meios de comunicação que ao invés de medíocres sejam plenamente prestadores de serviço.