
Se você perguntar a qualquer torcedor do Santa Cruz pelo nome de Jairo Mariano da Silva, dificilmente receberá a resposta que deseja. No entanto, se chamar pelo apelido de 'Bacalhau', difícil vai ser achar algum tricolor que não o conheça. Maior torcedor símbolo da história recente do clube, o ilustre cidadão garanhuense faleceu aos 77 anos após ter passado mal em casa e ser socorrido ao hospital pelos familiares na manhã desta quarta-feira (4).
Segundo os parentes do torcedor coral, ele sofria de Alzheimer e não estava se alimentando bem por conta da doença, dificultando seu quadro de saúde.
“Bacalhau certamente é uma referência para a nossa geração, dos 25 aos 30 anos. Talvez seja um dos maiores referenciais que temos de torcedor. Ele nos mostrou, na prática, qual a dimensão do sentimento que o torcedor pode ter pelo seu clube”, explicou Esequias Pierre, conselheiro e colaborador da curadoria da sala de troféus do Santa Cruz Futebol Clube. Ele destacou o amor, ao clube tricolor, exercido 24h por dia pelo torcedor ilustre.
De acordo com Anízio Silva, designer gráfico e administrador do perfil Twitter do Santinha, “era um sentimento quase religioso” que Bacalhau tinha com o Santa Cruz, expressando isso até na sua aparência física. “Transcende a explicação racional. Não é científico”, completou. Anízio teve a oportunidade de visitar a casa de Bacalhau em Garanhuns, no Agreste, onde comprovou que o amor pelo time recifense é enorme ao ver que tudo na casa era pintado de vermelho, branco e preto. “Ele tinha várias bicicletas, mas ele foi até a Bahia ver o Santa Cruz em uma tricolor”, relatou.
O administrador do perfil Trompete Coral, do Twitter, tem memórias desde sua infância sobre o amor que Bacalhau tinha pelo Santa Cruz, mesmo sabendo pouco sobre a vida dele. “Bacalhau me ensinou que, ganhando ou perdendo, a gente tem que encarar com sorriso e mostrar o amor pelo que nos faz feliz”, declarou.