
A estratégia do presidente eleito Jair Bolsonaro na montagem do seu ministério é blindar o Palácio do Planalto do "toma lá, dá cá". A prática consiste em pedidos que atendem mais a interesses pessoais ou de partidos do que para benefício da população, em troca de votos em projetos de interesse do Executivo. O sistema, também chamado de "presidencialismo do coalizão" ou "presidencialismo de cooptação" deixa o presidente da República, qualquer que seja, em situação política vulnerável.
O presidencialismo de coalizão não é necessariamente ruim. Mas fica inviável quando aliados condicionam votações importantes a troca de favores ou até crimes. Durante o governo Lula, muito da "governabilidade" foi posteriormente atribuída ao fato de a Petrobras ter sido "fatiada" entre partidos, que enchiam seus cofres com dinheiro desviado e votavam com o governo.
É por esse motivo que há tantos militares, na maioria generais, em postos do alto escalão. Caberá a eles, ao lado de políticos tradicionais, filtrar as demandas vindas tanto do Congresso, quanto dos Ministérios, governadores e prefeitos, fazendo uma antessala da Presidência. Só chegariam ao presidente Jair Bolsonaro, portanto, demandas já selecionadas e ele não teria o desgaste de dizer tantos nãos.
Na articulação com o Congresso, além do ministro indicado para a Casa Civil Onyx Lorenzoni estará o general Santos Cruz da Secretaria de Governo. Em entrevista ontem, Bolsonaro confirmou que eles trabalharão em parceria. Disse ainda que estuda a formação de uma frente formada por ex-parlamentares para ajudar da interlocução com o Congresso.
Outros dois generais trabalharão forte na cobrança de metas dos ministérios, o vice general Mourão e o secretário de governo Santos Cruz. A conduta de indicar ministros escolhidos por bancadas, e não por partidos, também partiu do objetivo da blindagem. Assim as negociações partem de projetos das bancadas e não de interesses partidários.
Por Mariana Lodres, Brasília