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Estratégia de Bolsonaro é blindar Planalto do

Objetivo é montar uma barreira para que pedidos de interesses pessoais não cheguem ao presidente eleito. Generais ajudariam a filtrar demandas

Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
Por: Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
28/11/2018 às 18h03 Atualizada em 28/11/2018 às 18h15
Estratégia de Bolsonaro é blindar Planalto do
Bolsonaro e general Heleno em eventos com militares no Rio Fernando Frazão/Agência Brasil 24.11.2018

A estratégia do presidente eleito Jair Bolsonaro na montagem do seu ministério é blindar o Palácio do Planalto do "toma lá, dá cá". A prática consiste em pedidos que atendem mais a interesses pessoais ou de partidos do que para benefício da população, em troca de votos em projetos de interesse do Executivo. O sistema, também chamado de "presidencialismo do coalizão" ou "presidencialismo de cooptação" deixa o presidente da República, qualquer que seja, em situação política vulnerável. 

O presidencialismo de coalizão não é necessariamente ruim. Mas fica inviável quando aliados condicionam votações importantes a troca de favores ou até crimes. Durante o governo Lula, muito da "governabilidade" foi posteriormente atribuída ao fato de a Petrobras ter sido "fatiada" entre partidos, que enchiam seus cofres com dinheiro desviado e votavam com o governo. 

É por esse motivo que há tantos militares, na maioria generais, em postos do alto escalão. Caberá a eles, ao lado de políticos tradicionais, filtrar as demandas vindas tanto do Congresso, quanto dos Ministérios, governadores e prefeitos, fazendo uma antessala da Presidência. Só chegariam ao presidente Jair Bolsonaro, portanto, demandas já selecionadas e ele não teria o desgaste de dizer tantos nãos.

Na articulação com o Congresso, além do ministro indicado para a Casa Civil Onyx Lorenzoni estará o general Santos Cruz da Secretaria de Governo. Em entrevista ontem, Bolsonaro confirmou que eles trabalharão em parceria. Disse ainda que estuda a formação de uma frente formada por ex-parlamentares para ajudar da interlocução com o Congresso. 

Outros dois generais trabalharão forte na cobrança de metas dos ministérios, o vice general Mourão e o secretário de governo Santos Cruz. A conduta de indicar ministros escolhidos por bancadas, e não por partidos, também partiu do objetivo da blindagem. Assim as negociações partem de projetos das bancadas e não de interesses partidários.

Por Mariana Lodres, Brasília 

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