
Ex-candidato do PT à presidência da República, participou na semana passada de um debate na Universidade de Columbia, em Nova York, sobre os desafios de enfrentar a nova direita populista.
No início de sua palestra, o petista também fez questão de ressaltar a política ambiental de prevenção do efeito estufa. Segundo Haddad, as mudanças climáticas já são realidade e cabe ao ser humano evitar uma catástrofe no meio ambiente.
“Quando você defende o direito ambiental, você está defendendo o direito de outras gerações a morar em um lugar com minimamente condições confortáveis. E no Brasil todas as questões de direitos estão, de certa maneira, em xeque”.
O discurso veio justamente na mesma semana em que o Brasil desistiu de sediar a Conferência do Clima de 2019 por um pedido do presidente eleito Jair Bolsonaro. O capitão reformado já deixou claro que discorda de algumas obrigações do “Acordo de Paris”, que visam diminuir a produção de gases que provocam o efeito estufa.
Falando sobre a situação econômica do Brasil e a previsão para o futuro, Fernando Haddad, alegou indiretamente que o governo de Jair Bolsonaro vai levar o Brasil ao certo crescimento. Haddad fez um diagnóstico de que a gestão de Bolsonaro poderá ter bons resultados econômicos a médio prazo.
“Temos que nos prevenir: ele vai adotar o neoliberalismo radical”, disse, referindo-se a Bolsonaro. “Em primeiro lugar gera um fluxo de caixa muito importante e dá fôlego, com a venda de ativos estatais, o que ocorreu com o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com a venda de estatais, o que bancou a sobrevalorização do câmbio por quatro anos”, apontou. “Vamos ter crescimento em 4 anos porque estamos há 4 anos sem crescer e isso vai dar um respiro para o governo.”
Críticas a aliança com conservadores
Na avaliação de Haddad, o novo governo também adotará uma agenda próxima a grupos religiosos conservadores. “A pauta do fundamentalismo alimenta o espírito e não o estômago, mas isto também está no jogo político.” Ele destacou que o presidente pode ressaltar que vai “intervir na escola pública e que seu filho não tem risco de ser gay.” Para o ex-candidato a presidente, é preciso adotar cuidado para avaliar o futuro da administração Bolsonaro. “Não pode ver como dado o fracasso, que pode ocorrer, mas não é pressuposto da nossa avaliação.”