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ATAQUES COM AGULHAS: Mais de 100 pessoas já procuraram hospital após supostas agulhadas

Divulgação dos casos têm levado mais supostas vítimas a procurar atendimento. Ataques similares foram registrados em Caicó, no Rio Grande do Norte

Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
Por: Jonathas William J.W / Coluna Tabuleiro Político
07/03/2019 às 20h43 Atualizada em 07/03/2019 às 20h58
ATAQUES COM AGULHAS: Mais de 100 pessoas já procuraram hospital após supostas agulhadas

A onda de casos de pessoas supostamente atingidas por agulhadas durante o carnaval do Recife e de Olinda vem crescendo em proporções alarmantes. Mais de 100 pessoas já procuraram o Hospital Correia Picanço, no bairro da Tamarineira, relatando terem sido feridas por objetos perfurantes nos focos de folia desde o sábado de carnaval, de acordo com o diretor do Hospital Correia Picanço, Tiago Ferraz. Para dar início às investigações, a Polícia Civil de Pernambuco instalou um posto móvel na unidade de saúde e pede para a população registrar queixa.

Dados oficiais da Secretaria Estadual de Saúde (SES) apontam para pelo menos 25 casos registrados no período. Incidentes similares foram registrados também durante a festa de Momo em Caicó, no Rio Grande do Norte, e em Campina Grande, na Paraíba, durante o São João de 2018. De acordo com a SES, até a manhã desta quinta-feira, 108 casos haviam sido registrados na unidade de saúde.

Segundo Tiago Ferraz, muita gente tem procurado o serviço de referência por medo, sem ter certeza do que aconteceu. “Como a notícia acabou se disseminando, a gente passou a atender pacientes que não estavam certos de terem sido de fato feridos. Pessoas que tinham só a sensação, que tinham uma queimação, ou passaram a sentir uma dor em alguma região do corpo e achavam que tinham sido feridos. Mas acreditamos que, em grande parte, as queixas são realmente relacionadas às agulhadas”, explica.

Muitas das vítimas sofrem com o medo de terem contraído o vírus HIV. Por conta do risco, todos os pacientes que relatam ter sofrido agulhadas nos focos de carnaval são submetidos a um tratamento padrão chamado de profilaxia pós-exposição. O protocolo consiste na realização de um teste rápido para descartar que a pessoa já seja portadora do vírus e na administração de um coquetel de medicamentos antivirais durante 28 dias.

O tratamento tem eficácia de praticamente 100%, mas há o risco de efeitos colaterais como desconforto no estômago. Também são feitos testes rápidos para hepatite B e hepatite C, outras doenças cuja transmissão pode acontecer por contaminação por objetos perfuro-cortantes contaminados. Todo o protocolo de exames precisa ser repetido após quatro semanas do início da terapia e também depois de 12 semanas.

INVESTIGAÇÃO – Na unidade móvel da polícia, haverá trabalho de peritos papiloscopistas que poderão confeccionar retrato falado do envolvido (ou envolvidos). É importante lembrar que o crime de expor a vida de outrem a risco por transmissão de moléstia grave está previsto no artigo 131 do Código Penal Brasileiro e prevê pena de reclusão em regime fechado, de até quatro anos, não descartando a hipótese do cometimento de crimes ainda mais graves. A medida foi tomada porque as vítimas não procuraram a polícia para registrar ocorrência. A PCPE solicita que as pessoas compareçam voluntariamente a uma das suas unidades. Cada caso determinará a abertura de um inquérito policial distinto.

Confira a nota divulgada pela polícia sobre os casos

“A Polícia Civil de Pernambuco já instaurou inquérito policial, com base nas informações da Secretaria Estadual de Saúde e no que fora divulgado pelos veículos de imprensa, para apurar suposto crime de expor a risco a vida de outrem por transmissão de moléstia grave, capitulado no artigo 131 do Código Penal Brasileiro, com pena de reclusão, em regime fechado, de até 4 anos, não descartando a hipótese do cometimento de crimes ainda mais graves. A Polícia Civil oficiará à direção do Hospital Correia Picanço, no sentido de identificar e tomar por termo as declarações das vítimas que se dirigiram aquela unidade especializada de saúde, vez que as mesmas não procuraram a Polícia para registrarem os fatos. A PCPE conclama as vítimas a comparecerem voluntariamente e registrarem o respectivo Boletim de ocorrência em uma das suas unidades. Cada caso ensejará um inquérito policial distinto.”

OP9

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