
Tendo passado ontem o dia todo no local de uma das maiores tragédias ocorridas na história recente de Garanhuns, o blog Agreste em Alerta colheu e ouviu vários depoimentos de moradores e vizinhos no sentido de que a queda do edifício residencial de dois andares da Rua Desembargador João Paes, no bairro Aluísio Pinto, era uma tragédia anunciada.
Outro depoimento contundente no sentido de que houve negligência por parte da prefeitura, é do economista João Paulo Tavares, morador do prédio que caiu. Ele residia anteriormente no 2º andar, mas, como o apartamento estava apresentando muito vazamento, se mudou para o térreo. João afirmou que, ao mudar para o térreo, conversou com um engenheiro da prefeitura sobre a segurança da estrutura já que as paredes apresentavam rachaduras. “Eu fiquei preocupado e ia me mudar de lá, entretanto, indaguei ao mesmo se ele moraria no local com sua família mesmo com aqueles problemas. A resposta dele foi que sim, que moraria. Com essa palavra do engenheiro eu desisti da mudança”, reforçou o economista em entrevista ao Combate, ancorado pelo radialista Pereira Filho. João Tavares e sua família escaparam do desabamento porque não estavam no apartamento no dia de ontem. Eles tinham viajado no dia anterior para visitar parentes e nasceram de novo. O Jornal Imprensa tanto como o Programa Combate entraram em contato com o economista, o qual confirmou a informação sobre a ida de um engenheiro da prefeitura ao prédio. Ele reitera que foi na Secretaria de Obras e Serviços Públicos para avisar que havia sido uma reforma do telhado do Bloco A. Ainda segundo João, veio um engenheiro da prefeitura no local e aprovou a reforma enfatizando que o prédio era seguro. Uma reforma do telhado do prédio que caiu seria feita, mas não deu tempo.
No local o cenário é desolador e parece que foi atingido por um terremoto. Conversamos com os moradores, tanto dos dois edifícios que ficaram de pé, quanto com os do que caiu e percebemos que a tristeza e a indignação são sentimentos latentes naquelas pessoas. Algumas lamentaram o fato de, tendo se passado mais 24 horas da tragédia, ninguém da Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Garanhuns os procurou para oferecer apoio.

Outra queixa dos moradores é quanto a saques ocorridos na noite de ontem. Desconhecidos encheram duas carroças de materiais que ficaram entre as vigas e concreto do prédio que caiu e se evadiram. “Me revolta que a prefeitura de Garanhuns no Natal Luz deixe dezenas de guardas para proteger os ursinhos e em um caso desse, não ficou um guarda para proteger o que restou do nosso patrimônio”, disse um morador indignado.
Uma investigação sobre as causas do desmoronamento já foi iniciada pela Policia Civil. O Instituto de Criminalística (IC) deve começar a perícia no local ainda hoje, mas não precisa ser especialista na área para deduzir que, se tivesse havido um maior rigor na fiscalização, talvez Antônio e Edval ainda estivessem vivos. Não há como negar também que houve erros na elaboração do projeto e também na execução da obra, a começar pelo próprio local onde foi construído, um solo instável e que, segundo os moradores, tinha incidência de minação. A SOCIEDADE ESPERA RESPOSTAS.
O Jornal Imprensa está à disposição da Prefeitura de Garanhuns para que sejam prestados os esclarecimentos sobre os fatos levantados nesta publicação
